Uma operação de alto risco mobilizou forças de segurança na manhã desta segunda-feira (27), em Parauapebas, após a confirmação de artefatos explosivos na área da fábrica de rações Karajás, localizada no Bairro Palmares Sul. A ação foi conduzida por uma equipe especializada do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), com apoio da Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros.
O trabalho teve como foco a análise e neutralização de explosivos remanescentes do atentado registrado no fim de semana, quando uma forte explosão destruiu um dos silos da empresa. De acordo com o coronel Dayvid, do Comando de Policiamento Regional 14 (CPR-14), toda a operação foi planejada para garantir segurança total durante o manuseio do material.

Segundo as autoridades, três artefatos haviam sido instalados em pontos estratégicos da estrutura — no silo, na caldeira e junto ao compressor. No entanto, apenas um deles foi detonado. Nesta segunda-feira, os dois dispositivos restantes foram desarmados com sucesso pelas equipes especializadas, evitando o risco de novas explosões e uma possível tragédia de grandes proporções.
“O trabalho com explosivos exige um rigoroso perímetro de segurança. É fundamental isolar a área para evitar qualquer tipo de dano a pessoas ou veículos”, explicou o coronel.
A operação foi considerada bem-sucedida e ocorreu sem registro de feridos. A atuação integrada das forças de segurança foi essencial para conter os riscos e garantir a integridade da população e dos profissionais envolvidos.
Atentado planejado
As investigações apontam que o ataque foi premeditado e executado com conhecimento técnico. Os criminosos instalaram os explosivos de forma estratégica, conectando os dispositivos por meio de um rastilho de pólvora, o que indicaria a intenção de provocar uma detonação em sequência e causar a paralisação total das atividades da empresa.
Uma falha no sistema de acionamento — provocada pela interrupção do pavio por uma mangueira — impediu que os demais explosivos fossem ativados. Caso o plano tivesse sido totalmente executado, os danos poderiam ter sido ainda mais severos, com risco real de vítimas.
De acordo com informações preliminares, os suspeitos teriam invadido o local pulando o muro de um terreno vizinho. A Polícia Civil segue investigando o caso para identificar os responsáveis e esclarecer a motivação do crime.
Histórico de ameaças
O atentado pode estar relacionado a conflitos anteriores envolvendo a empresa. Em março de 2026, um boletim de ocorrência foi registrado relatando ameaças feitas por um homem que teria afirmado que “explodiria tudo” caso perdesse parte da fábrica em uma disputa judicial.
Além disso, relatos indicam que pessoas ligadas a um dos sócios teriam sido impedidas de acessar o local, sob ameaça de violência por parte de seguranças armados.
Disputa societária
A fábrica também está no centro de uma disputa judicial. Em decisão recente, a Justiça determinou a reintegração de Welliton da Silva Almeida ao quadro societário da empresa.
A medida foi cumprida ainda nesta segunda-feira (27), com a presença de oficial de Justiça, sem registro de conflitos. O caso envolve alegações de fraude documental, incluindo o uso indevido de certificado digital para alteração contratual que teria excluído o sócio da empresa.
Segundo o procurador Edson Costa, a situação já vinha sendo questionada judicialmente, com pedidos de anulação de atos e investigação sobre possíveis irregularidades.
Segurança reforçada
Após o atentado, a área permaneceu isolada durante toda a operação do BOPE. Com a neutralização dos explosivos, o local foi considerado seguro, mas segue sob monitoramento das autoridades.
As investigações continuam, e a polícia trabalha para identificar os autores do ataque, além de aprofundar as apurações sobre possíveis ligações entre o atentado, as ameaças anteriores e a disputa societária envolvendo a empresa.
Fonte: (Infoma Parauapebas)








Comentários