Um destróier americano interceptou dois petroleiros que tentavam deixar o Irã nesta terça-feira (14), um dia após o bloqueio imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, entrar em vigor, e ordenou que retornassem, disse uma autoridade americana, falando sob condição de anonimato.
Os navios haviam partido do porto de Chabahar, no Golfo de Omã, e foram contatados pelo navio de guerra via comunicação por rádio, disse a autoridade. Não ficou claro se outros avisos foram emitidos.
A revelação adiciona mais detalhes ao início do bloqueio de Trump, que visa pressionar o Irã a encerrar o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, um ponto de estrangulamento para cerca de 20% do petróleo mundial.
Trump espera que o bloqueio force o Irã a aceitar os termos americanos para o fim da guerra iniciada pelos EUA e Israel em 28 de fevereiro, incluindo a abertura do Estreito de Ormuz. Trump afirma que essa também era uma condição do cessar-fogo com o Irã, em vigor há uma semana e que expira na próxima semana.
Especialistas se mostram cautelosos.
Noam Raydan, do Instituto de Washington para Política do Oriente Próximo, disse que os dados de rastreamento mostraram um petroleiro dando meia-volta após o início do bloqueio, mas alertou que muitos navios que transportam petróleo iraniano desaparecem.
“Ainda não sabemos o quão eficaz isso é. Estamos apenas no segundo dia”, disse Raydan.
O oficial americano afirmou que os dois petroleiros estavam entre os seis navios mercantes que, segundo um comunicado do Comando Central dos EUA divulgado na terça-feira, acataram ordens para “dar meia-volta e retornar a um porto iraniano no Golfo de Omã”.
O Comando Central informou que nenhum navio conseguiu ultrapassar o bloqueio desde que ele entrou em vigor às 11h da manhã de segunda-feira (13), horário de Brasília.
Mais de 10 mil soldados
O bloqueio é uma operação gigantesca que envolve mais de 10 mil soldados americanos, mais de uma dúzia de navios de guerra e dezenas de aeronaves, segundo as Forças Armadas dos EUA.
Os militares americanos afirmam que apoiarão a liberdade de navegação para embarcações que transitam pelo Estreito de Ormuz, desde que não estejam indo para o Irã ou vindo dele.
Trump anunciou o bloqueio após o fracasso das negociações do fim de semana para encerrar a guerra. Os preços do petróleo voltaram a subir acima de US$ 100 o barril antes de recuarem na terça-feira, em meio à esperança de novas negociações.
Se a estratégia de Trump for bem-sucedida, ele eliminará o principal ponto de influência do Irã nas negociações com os EUA e liberará o estreito para o comércio global. Mas um bloqueio, dizem especialistas, é um ato de guerra que exige um compromisso por tempo indeterminado de um número significativo de navios de guerra.
Isso também poderia desencadear novas retaliações de Teerã e exercer uma enorme pressão sobre um cessar-fogo já frágil.
As ameaças do Irã à navegação fizeram com que os preços globais do petróleo disparassem cerca de 50%. Aproximadamente 5 mil pessoas morreram nas hostilidades.
Milhares de ataques militares dos EUA enfraqueceram severamente as forças armadas iranianas. Mas analistas dizem que Teerã emergiu do conflito como um problema complexo para Washington, com uma liderança mais linha-dura e um estoque enterrado de urânio altamente enriquecido.
Raydan disse que é provável que haja retaliação iraniana se o bloqueio for bem-sucedido e durar por um longo período, mencionando as ameaças iranianas de atacar os países do Golfo que abrigam forças americanas e os ataques anteriores do Irã contra navios.
“Estamos no período de testes”, disse Raydan.
Fonte: (Com CNN)








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