Especialistas alertam que deixar a divulgação para “quando sobrar dinheiro” pode comprometer a capacidade de uma empresa atrair clientes, fortalecer sua marca e gerar novas oportunidades de negócio
Todo mês, o empresário já sabe quais contas precisam ser pagas: aluguel, funcionários, fornecedores, energia, impostos e outras despesas que fazem parte da rotina da empresa. Mas quando chega a hora de definir quanto será destinado ao marketing, muitas vezes a resposta é: “vamos ver o que sobra”.
O problema é que, ao contrário de outras despesas, o marketing não chega com um boleto na porta da empresa. A cobrança aparece de outra forma: na perda de clientes, na redução das vendas, na falta de visibilidade e na dificuldade de disputar espaço em um mercado cada vez mais competitivo.
Por isso, especialistas em gestão e comunicação defendem que o marketing seja tratado como parte do planejamento financeiro e estratégico das empresas, e não como uma despesa eventual.
Urgência não pode ser confundida com importância
Um dos principais motivos para o marketing ficar em segundo plano é a diferença entre aquilo que é urgente e aquilo que é importante.
Enquanto aluguel e fornecedores precisam ser pagos imediatamente para evitar problemas na operação, o marketing trabalha de forma contínua para construir relacionamento com o público, fortalecer a marca e gerar novas oportunidades de vendas.
Outro desafio está na própria cultura de gestão. Muitos empresários ainda administram o negócio olhando principalmente para o movimento financeiro do dia, sem estabelecer um planejamento anual para ações de divulgação e relacionamento com os clientes.
Há também quem tenha resistência por experiências anteriores. Investimentos em panfletagem, anúncios ou redes sociais feitos sem estratégia podem não apresentar o resultado esperado e criar a sensação de que marketing não funciona. Na prática, porém, a ausência de planejamento, metas e acompanhamento dos indicadores pode ser o verdadeiro problema.
O famoso boca a boca não é suficiente
As indicações continuam sendo importantes para qualquer negócio. Um cliente satisfeito pode trazer novos consumidores e fortalecer a reputação da empresa.
Mas depender exclusivamente do boca a boca pode ser arriscado.
Com o aumento da concorrência e a mudança no comportamento do consumidor, as empresas precisam estar presentes onde seus clientes estão, comunicar seus diferenciais e construir uma relação constante com o público.
Outro desafio é perceber de onde vem uma venda. Nem sempre o consumidor vê um anúncio e compra imediatamente. Ele pode conhecer a marca hoje, acompanhar as redes sociais, pesquisar preços alguns dias depois e só então realizar a compra.
Por isso, o uso de ferramentas de acompanhamento e métricas é fundamental para entender o retorno das ações de marketing.
Marketing como compromisso mensal
Uma das estratégias para mudar essa realidade é estabelecer previamente um percentual do faturamento destinado ao marketing. O valor pode variar de acordo com o segmento, o porte da empresa e os objetivos estabelecidos.
Uma referência utilizada por empresas é separar entre 3% e 10% do faturamento bruto, sempre considerando a realidade financeira e o planejamento de cada negócio.
Outra alternativa é criar o chamado “Boleto do Marketing”: no início de cada mês, o empresário separa o valor destinado à divulgação em uma conta específica, tratando esse investimento como uma despesa planejada, assim como faria com um fornecedor.
Mais do que simplesmente gastar, a proposta é investir com estratégia, estabelecer objetivos e acompanhar os resultados.
Afinal, o aluguel mantém as portas abertas hoje, mas é o marketing que ajuda a garantir que os clientes continuem entrando por elas amanhã.
Para empresas que desejam crescer, conquistar novos públicos e permanecer competitivas, deixar o marketing sempre para depois pode significar, no futuro, uma conta muito mais alta.
RegionalNorte








Comentários